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Sob medida vs SaaS

Sob medida, SaaS ou ERP: como decidir sem se arrepender

Sistema pronto (SaaS), ERP ou sob medida? Um roteiro de cinco perguntas, uma conta de três anos e os sinais de que é hora de mudar de caminho.

Por Equipe Wyber Publicado em Atualizado em

Cartão da Wyber com o título do artigo: Sob medida, SaaS ou ERP, como decidir

Resposta curta: use um sistema pronto (SaaS) quando o seu processo é parecido com o de todo mundo. Use um ERP quando você precisa de um conjunto grande de módulos padronizados (fiscal, estoque, financeiro). Construa sob medida quando o seu jeito de operar é o que te diferencia, ou quando você já gasta mais adaptando o pronto do que gastaria construindo. Na dúvida, comece pelo pronto e só construa o que ele não resolve.

Um fornecedor de software sob medida defendendo o sob medida tem um conflito de interesse óbvio. Por isso este texto começa admitindo o que é verdade: para muita empresa, o pronto é a melhor escolha. A gente prefere que você saiba disso agora a descobrir depois de assinar.

As três opções em uma tabela

SaaS (sistema pronto por assinatura) ERP (sistema integrado de gestão) Sob medida
O que é Ferramenta pronta, você paga por usuário ou por plano Pacote grande de módulos: financeiro, fiscal, estoque, compras Sistema feito para o seu processo
Para começar Dias Semanas a meses (implantação e parametrização) Semanas a meses (desenho e construção)
Custo inicial Baixo Médio a alto Médio a alto
Custo ao longo dos anos Cresce com usuários e planos Licença, implantação e customizações Manutenção e evolução
Ajuste ao seu jeito Limitado ao que a ferramenta permite Parametrizável, customização costuma ser cara Total
Risco principal Depender de um produto que não é seu e de reajustes Implantação longa e sistema que ninguém usa direito Escolher o fornecedor errado ou definir mal o escopo
Quem costuma servir Processos comuns e times pequenos Empresas com operação fiscal e contábil complexa Processos próprios e operação que é a vantagem competitiva

Cinco perguntas para decidir

1. O seu processo é comum ou é o seu diferencial?

Se o que você faz é o que a maioria das empresas do seu tamanho faz (emitir nota, controlar contas a pagar, atender chamados), já existe ferramenta boa e barata. Se o jeito de precificar, agendar, produzir ou entregar é o que os clientes escolhem em você, adaptar o processo a uma ferramenta genérica pode custar justamente a vantagem que você tem.

2. Quantas adaptações você já faz para o pronto funcionar?

Sinal clássico: a equipe usa o sistema pronto mais uma planilha ao lado, ou repete o mesmo dado em duas telas. Quando a ferramenta só funciona com gambiarra, o custo de conviver com ela aparece em horas de gente, não na fatura.

3. Quantas pessoas vão usar?

Muitos SaaS cobram por usuário. Com 5 usuários, o pronto costuma ser imbatível em preço. Com 80, a conta muda. Veja o exemplo numérico logo abaixo.

4. Você precisa que o sistema converse com outros?

Integração com banco, emissor fiscal, loja virtual ou WhatsApp existe em muito SaaS e em ERP. Mas se a sua operação depende de conectar cinco coisas de um jeito específico, um sistema sob medida pode ser o "cola" mais limpo do que uma rede de ferramentas ligadas por automações frágeis. Falamos mais desse cenário em automação de processos: por onde começar.

5. Quanto controle você precisa ter dos seus dados e do seu roadmap?

Num SaaS, quem decide o que a ferramenta ganha ou perde no próximo ano é o fornecedor, e ele pode mudar preço ou plano. Num sistema sob medida, o código e os dados são seus (desde que o contrato diga isso). Essa autonomia tem valor para alguns negócios e nenhum para outros.

A conta de três anos (exemplo com números inventados)

Preços de SaaS variam muito por produto. Os valores abaixo são hipotéticos e servem só para mostrar a lógica da conta; não descrevem um produto nem um cliente real.

Cenário A: equipe de 15 pessoas.

  • SaaS a R$ 89 por usuário por mês: 15 x R$ 89 = R$ 1.335 por mês, R$ 16.020 por ano, R$ 48.060 em 3 anos.
  • Sob medida: desenvolvimento de R$ 90 mil mais R$ 1.500 por mês de hospedagem e manutenção (R$ 54 mil em 3 anos), R$ 144 mil em 3 anos.

Resultado: o SaaS é bem mais barato. Se o pronto atende, escolha o pronto.

Cenário B: equipe de 80 pessoas, mesmo escopo.

  • SaaS: 80 x R$ 89 = R$ 7.120 por mês, R$ 85.440 por ano, R$ 256.320 em 3 anos.
  • Sob medida: os mesmos R$ 144 mil, porque o custo de construção não cresce na mesma proporção que os usuários.

Resultado: o sob medida passa a ser mais barato em três anos, e ainda se ajusta ao processo.

O que a conta mostra: o ponto de virada depende do número de usuários, do quanto você adapta o pronto e do prazo que considera. Faça-a com os seus números, incluindo o custo das horas gastas em gambiarras. E lembre que o custo do desenvolvimento varia conforme o escopo, como explicamos em quanto custa desenvolver um sistema sob medida.

Onde cada opção costuma dar errado

SaaS: você contrata pela vitrine e descobre na segunda semana que falta o relatório que o seu contador pede. Ou o plano que tem a funcionalidade custa três vezes mais.

ERP: a implantação vira um projeto de um ano, a equipe usa 20% dos módulos e o resto vira planilha ao lado. Não é defeito do ERP; é o que acontece quando o processo da empresa e o padrão do sistema não conversam.

Sob medida: escopo grande demais logo no começo, sem discovery, sem responsável do lado do cliente, com um fornecedor que some depois da entrega. Tudo evitável, mas tudo comum. O checklist em como escolher uma software house existe para isso.

O meio-termo que costuma funcionar

Não é preciso escolher uma opção para tudo. Muitas empresas fazem uma combinação:

  • Pronto para o que é comum: financeiro, folha, e-mail, emissão de nota.
  • Sob medida para o núcleo do negócio: o processo que só você faz do seu jeito.
  • Integração entre os dois, para o dado não ser digitado duas vezes.

Com essa divisão, você não gasta construindo o que já existe e não fica preso ao pronto onde ele não serve.

Sinais de que é hora de olhar para o sob medida

  • A equipe mantém uma planilha "paralela" para o que o sistema não faz. (Se é o seu caso, veja quando a planilha deixou de servir.)
  • O mesmo dado é digitado em dois ou três lugares.
  • O processo mudou de forma competitiva e a ferramenta não acompanha.
  • O custo por usuário cresce mais rápido que a receita.
  • Você já foi barrado por "isso o sistema não faz" mais de uma vez no mês.

E sinais de que não é a hora: o processo ainda está sendo descoberto, ninguém sabe descrever como o trabalho é feito hoje, ou o orçamento só cobre a ferramenta pronta. Nesses casos, um SaaS barato ensina o que você realmente precisa, e essa informação vale ouro se depois você decidir construir.

Perguntas frequentes

Sistema sob medida é sempre melhor que um sistema pronto?

Não. Ele é melhor quando o seu processo é específico ou quando o volume de usuários e adaptações faz o pronto ficar caro. Para processo comum e equipe pequena, o pronto costuma ser a melhor escolha.

Dá para começar com SaaS e migrar depois?

Dá, e muitas vezes é o melhor caminho. Só exija poder exportar seus dados em formato aberto, porque a migração depende disso.

Um ERP resolve tudo?

Resolve bem o que é padronizado (fiscal, contábil, estoque). O que é específico do seu negócio quase sempre exige customização cara ou um sistema ao lado.

Quanto tempo leva para construir um sistema sob medida?

Uma primeira versão enxuta costuma levar de 2 a 4 meses, segundo estimativas de mercado; o prazo real depende do escopo.

Próximo passo

Se você está entre as três opções e quer uma segunda opinião honesta (inclusive "compre o pronto"), conte como o seu processo funciona hoje. A gente diz onde o pronto serve e onde valeria construir.

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